segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Minifúndio

Terra Mãe, nosso lar.
Vida que insere, que espreita, vida a esperar.
Ações, omissões, remissões.
E, ao receber, não há de reclamar.
Minha, tua, nossa, vossa.
Diminuto pedaço de chão,
Infinitas, porém, as possibilidades,
Solo que cultiva, solo que aduba,
Solo que se perde, que apodrece.
Só tenho a mim mesmo,
Meus pensamentos, meus sentimentos.
O que faço, fiz, farei.
Terra mãe, meu "eu", meu latifúndio,
Meu minifúndio.
Pensamentos, energia que expressa e emana,
Meu próprio "ser" que se levanta...
Nessa terra se colhe somente o que se planta.

Autor Mário Meirelles

Os Homens e a Liberdade do Egoísmo

Anseio em meu âmago por liberdade.
Guerras, soldados, generais e ditadores,
Anciãos, moços e moças, à liberdade.
Quero a liberdade de poder voar, viajar,
De ir e vir, fazer e acontecer, amar e regozijar.
Liberdade, em nossos infinitos interiores ansiamos.
Hoje, labora-se e edifica-se intelectualmente para a liberdade.
A Liberdade... de todos(?!)
Amanhã comercializo em ludibrio do meu semelhante,
Depois, sugando quem de trabalho precisa a cada instante.
Me enclausuro em capacitação a um posto que apenas a mim beneficia.
As razões e os motivos alheios em menosprezo nada me contagia.
Não mereço os louros e méritos de meu esforço?!
"Ah, isso sim", minha consciência diz, com certeza.
Só, que, e depois?
Tenho fome, o outro também, eu, primeiro, ele, porém,
Liberdade para todos...
Mas, primordialmente para mim.
 
Autor: Mário Meirelles

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Ligeiro

O Ligeiro

Ei, tu, onde vais com tanta pressa?
Estás deixando para trás alguns pertences
Há os preferidos objetos do cotidiano,
Há, também, livros, retratos e troféus conquistados
Não se esqueça dos diários das férias na praia
Esses trazem os fugazes amores de verão
Ah... Como são saudosas as férias de verão
Ei, tu, onde vais com tanta pressa?
Não te esqueças da luz acesa e do café à mesa,
Também há cartas, filmagens e o chinelo antigo
Aquele já surrado, mas, inseparável e preferido
De fato, passando dessa forma, ligeiro,
Estarás deixando coisas para trás
Ei, tu, onde vais com tanta pressa?
Largando manias, "hobbys" e familiares
Familiares... esses fazem falta depois
Cuidado para não esqueceres os amigos, também
Lembra-te de ainda cultivar tua crença, de ter fé
Lembra-te de onde vieste e para onde queres ir
Ei, tu, onde vais com tanta pressa?
Vejo, porém, que trazes algumas coisas
Algumas rugas,  experiência e conhecimento
Serenidade, sabedoria e gratidão...
Esses, tens o dever de trazer consigo
Apenas peço uma coisa: Só não te vás sem todas essas recordações
Ei, tempo, onde vais com tanta pressa?

Autor: Mário Meirelles

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ode ao Velho Farol

Ode ao Velho Farol

Desde muito longe, a luz que percorre o horizonte em imensidão
Passam, imutáveis, os coqueirais... Aligeira satisfeito o coração
Desde muito longe, atravessa o cheiro inexorável de sal e mar
A incessante e deleitosa ventania me vem aos ouvidos musicar
Maltrapilha, mal cuidada, ainda assim não fulmina o lirismo à menção
Saudosas são as lembranças de infância, meu apego à canção
De fato, bastantes foram as composições... Uma para cada verão
Das recordações na convivência dos familiares mais caros
Aos intermináveis passeios de bicicleta... Esses não me deixarão
Tampouco, o intrépido desbravamento dos mangues
Movediços e sempre cheios de vida em ebulição
Sabores característicos... Dos crustáceos à tapioca na mão
Delírios em minh’ alma, está intacto meu apego por seu chão
Embaralhada arquitetura, exibe o bucólico singelo e o moderno farto
Como os abundantes currais no meio do canal a abarrotar em confusão
Em euforia íntima, contemplo o rotundo astro carmim que à esquerda se põe
Arde em escarlate, se liquefazendo como uma miragem mar adentro
Sorte de quem de ti desfrutou em uma aprazível tarde de setembro
Ao lado da amada, fico a sonhar de ti, assim, inóspita à minha visão.
Oh, Salinópolis! Mais que seu calor, as lembranças que esquentam meu coração.

 
Autor: Mário Antônio Meirelles

quarta-feira, 26 de março de 2014

Meu Destino é Navegar


Meu Destino é Navegar

Definitivamente, meu destino é navegar...
Nem o sol nem o luar
Tampouco as falésias escalar
Oh, inexplicável nostalgia que me faz devanear
Decerto, o futuro a Deus pertence, é o dito popular
Definitivamente, meu destino é navegar...
Formidável, majestoso, generoso, genial é o mar
Num relance, uma vaga ideia do que estaria a me esperar
Seu azul arrebatador não me deixa, nunca, olvidar
Ai, de mim, que antes nada tinha! Era um náufrago!
Desorientado, perdido, mas, não no mar
Definitivamente, meu destino é navegar...
Uma imensidão azul a me entorpecer
Sem dúvida, a mais bela de todas as cores
Remete-me ao quão delgado terreno posso arpoar
Então, o que resta de mim senão aos Deuses me curvar
Definitivamente, meu destino é navegar...
Na imensidão azul do teu olhar.

Autor: Mário Meirelles