Ode ao Velho Farol
Desde muito longe, a luz que percorre o horizonte em imensidão
Passam,
imutáveis, os coqueirais... Aligeira satisfeito o coração
Desde muito
longe, atravessa o cheiro inexorável de sal e mar
A incessante e deleitosa
ventania me vem aos ouvidos musicar
Maltrapilha, mal
cuidada, ainda assim não fulmina o lirismo à menção
Saudosas são as
lembranças de infância, meu apego à canção
De fato, bastantes
foram as composições... Uma para cada verão
Das recordações
na convivência dos familiares mais caros
Aos intermináveis
passeios de bicicleta... Esses não me deixarão
Tampouco, o
intrépido desbravamento dos mangues
Movediços e
sempre cheios de vida em ebulição
Sabores
característicos... Dos crustáceos à tapioca na mão
Delírios em
minh’ alma, está intacto meu apego por seu chão
Embaralhada
arquitetura, exibe o bucólico singelo e o moderno farto
Como os abundantes
currais no meio do canal a abarrotar em confusão
Em euforia
íntima, contemplo o rotundo astro carmim que à esquerda se põe
Arde em
escarlate, se liquefazendo como uma miragem mar adentro
Sorte de quem de
ti desfrutou em uma aprazível tarde de setembro
Ao lado da
amada, fico a sonhar de ti, assim, inóspita à minha visão.
Oh, Salinópolis!
Mais que seu calor, as lembranças que esquentam meu coração.
Autor: Mário Antônio Meirelles