segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ode ao Velho Farol

Ode ao Velho Farol

Desde muito longe, a luz que percorre o horizonte em imensidão
Passam, imutáveis, os coqueirais... Aligeira satisfeito o coração
Desde muito longe, atravessa o cheiro inexorável de sal e mar
A incessante e deleitosa ventania me vem aos ouvidos musicar
Maltrapilha, mal cuidada, ainda assim não fulmina o lirismo à menção
Saudosas são as lembranças de infância, meu apego à canção
De fato, bastantes foram as composições... Uma para cada verão
Das recordações na convivência dos familiares mais caros
Aos intermináveis passeios de bicicleta... Esses não me deixarão
Tampouco, o intrépido desbravamento dos mangues
Movediços e sempre cheios de vida em ebulição
Sabores característicos... Dos crustáceos à tapioca na mão
Delírios em minh’ alma, está intacto meu apego por seu chão
Embaralhada arquitetura, exibe o bucólico singelo e o moderno farto
Como os abundantes currais no meio do canal a abarrotar em confusão
Em euforia íntima, contemplo o rotundo astro carmim que à esquerda se põe
Arde em escarlate, se liquefazendo como uma miragem mar adentro
Sorte de quem de ti desfrutou em uma aprazível tarde de setembro
Ao lado da amada, fico a sonhar de ti, assim, inóspita à minha visão.
Oh, Salinópolis! Mais que seu calor, as lembranças que esquentam meu coração.

 
Autor: Mário Antônio Meirelles